observações sobre as artes de intervenção urbana

Archive for abril, 2011

Transversalidades Latinas – Sob o Céu da Patagônia – parte I

Transversalidades Latinas



Transversalidades Latinas - Esquel


Entre dezembro de 2010 e janeiro de 2011 percorri mais de 11.500 quilômetros pelas estradas sul-americanas com outros três amigos. A expedição Sob o Céu da Patagônia cruzou trechos do Brasil, Argentina, Chile e Uruguai, sendo que pouco mais de três quartos desta viagem (cerca de 9.000 quilômetros) foram rodados nas bem conservadas estradas Argentinas. Atravessamos treze das vinte-e-três províncias do país, e estivemos nas capitais de oito delas. No Chile, nossa passagem mais apressada nos levou a povoações menores e mais periféricas (embora não menos férteis).


Quiero tu Agua - Posadas


Ainda que a expedição tivesse como principais objetivos algumas das mais impressionantes paisagens naturais da américa do sul, nos dias que passamos percorrendo aglomerados urbanos dos mais variados tamanhos, extensões e densidades demográficas, tentei registrar as intervenções que testemunhei em minha passagem, embora a maior parte delas não tenha sido capturada por questões circunstanciais que me impediram de utilizar a câmera.


Jaulas Vacias - Córdoba
Durante esta jornada pude confirmar que a presença de intervenções nas superfícies públicas e fronteiriças do meio urbano é um fenômeno comum à praticamente todas as manifestações da urbanidade na paisagem social humana, desde os pequenos e quase despovoados vilarejos até as superpopuladas megalópoles, algo que me parecia evidente, mas que eu nunca tivera a chance de comprar pessoalmente.


Vivir es Pasar Verguenza - Santa Fé
Como a extensão geográfica da expedição atravessou uma enorme variedade de diferentes ambientes sociais, pude testemunhar uma grande diversidade de manifestações diferenciadas de obras de intervenção urbana, desde a simples “pichação”, geralmente de cunho político, até os mais detalhados painéis em grafite. Transbordando de elaboradas superfícies representativas, as grandes metrópoles, como Córdoba, Mendoza e Santa Fé, apresentavam os panoramas mais ricos e variados.


Quien se Acuerda de Nosotrxs - Córdoba


Tributo a Mi - Santa Fé
Embora sejam também os espaços onde as manifestações meramente invasivas, territorialistas e individuais, como tags pessoais e de gangues, aparecem com maior frequência, a enorme variedade de intervenções proporciona uma visibilidade mais ampla para essas manifestações, e provavelmente uma aceitação maior.






Grafite - Córdoba


Que Harias si Tuvieras Tiempo - Córdoba


Power to the People - Santa Fé


Curiosamente, foi nas povoações menores, como Esquel, Perito Moreno, Pucón ou El Calafate, que tive a oportunidade de testemunhar o maior número de intervenções cujo discurso apresentasse uma preocupação social ou política, em parte talvez devido a rejeição natural dessas comunidades às intervenções de cunho mais pessoal.


Y mi voz no vale? - Córdoba


Dia a dia nos mienten - Córdoba


Confira o final de meu relato e mais algumas imagens no próximo post do projeto urbanogramas.


Intervalo, respiro, pequenos deslocamentos – ações poéticas do Poro

intervalo, respiro, pequenos deslocamentos

Capa de Intervalo, respiro, pequenos deslocamentos – ações poéticas do Poro

Formado pela dupla-coletivo de artistas Brígida Campbell e Marcelo Terça-Nada, o Poro atua no cenário brasileiro da arte de intervenção urbana desde 2002, executando ações que se articulam em vários planos com diferentes instâncias da urbanidade. Operando na fronteira entre o observado e o desapercebido, o reconhecimento e o estranhamento, o impactante e o sutil, seus trabalhos atuam no campo da evidenciação das relações entre os suportes da arte, as funções sociais do discurso artístico no meio urbano e o espaço-momento-acontecimento onde a obra se efetiva. Uma mistura de  inutensílios de Leminski com o happening de Kaprow, ou do ready made de Duchamp com as propagandas impropagáveis leminskianas, as ações-provocações do Poro se situam na margem do cotidiano urbano e no intervalo-pausa em que este pequeno deslocamento de perspectiva se faz necessário para que a apreensão da obra e de seus efeitos sobre o observador se realize.

Intervalo, respiro, pequenos deslocamentos – ações poéticas do Poro“, livro lançado em Curitiba na última sexta-feira, dia 08, dentro do evento MOB – Arte, Bicicleta e Mobilidade no Solar do Barão, apresenta o conjunto da produção artística, intervenções urbanas e proposições políticas realizados pelo Poro nos últimos nove anos. Premiado pelo Programa Brasil Arte Contemporânea da Fundação Bienal de São Paulo e Ministério da Cultura, o livro traz também, além do extenso registro fotográfico das ações do Poro, os contundentes textos inéditos de Daniela Labra (pesquisadora e curadora – Rio de Janeiro), André Mesquita (pesquisador e ativista – São Paulo), Newton Goto (artista, pesquisador e curador – Curitiba), André Brasil (pesquisador da área de comunicação – Belo Horizonte), Wellington CançadoRenata Marquez (arquitetos, curadores e pesquisadores – Belo Horizonte), Anderson Almeida (escritor – Belo Horizonte), Luiz Carlos GarrochoDaniel Toledo (pesquisadores e criadores cênicos – Belo Horizonte), Ricardo Aleixo (poeta, curador e ativista cultural – Belo Horizonte).

Variando do autobiográfico, do episódico e do poético ao ensaístico teórico-reflexivo, os textos delineiam olhares e perspectivas diferenciadas sobre a obra do Poro, construindo uma visão em mosaico, fragmentada mas não dispersiva, dos processos artísticos e dos impactos sociais e teóricos das ações do coletivo-dupla. Alguns dos ensaios, como “Insignificâncias: a política nas intervenções do Poro”, de André Brasil, “Poro: na linha dos olhos”, de Daniel Toledo e Luiz Carlos Garrocho, ou “Arquiteturas adesivas”, de Renata Marquez e Wellinton Cançado, ultrapassam pela amplitude de suas visões a simples observação sobre a obra abordada, projetando-se no escasso campo das necessárias reflexões teóricas mais profundas sobre as artes de intervenção urbana.

O livro pode ser adquirido diretamente no site do Poro ou nas livrarias listadas abaixo:

Salvador: Lojinha do MAM (Museu de Arte Moderna da Bahia)
Rio de Janeiro: Livraria da Travessa (R. Visc. de Pirajá, 572)
São Paulo:
Livraria do Espaço Unibanco de Cinema (R. Augusta, 1475)
Livraria do Cinema Reserva Cultural (Av. Paulista, 900)
Livraria Ato de Ler (R. Br. de Itapetininga, 255, loja 24)
Livraria Loyola (R. Sen. Feijó, 120)
Livraria da Unesp (Pça. da Sé, 108)
Arsenal do Livro (Av. 9 de Julho, 925)

Mais informações na página do livro e no site do Poro.

 


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